O presidente do Conselho Europeu, António Costa, colocou em marcha esta semana o seu já tradicional "Tour pelas capitais", uma série de encontros com os chefes de Estado e de Governo da União Europeia destinada a recolher suas posições e allanar o caminho para as próximas cúpulas, com o foco posto no futuro orçamento a longo prazo da UE.
O périplo, que se desenvolverá entre 25 de agosto e 17 de setembro e abrangerá a maioria dos Vinte e Sete, começou na segunda-feira com paradas em Bratislava (Eslováquia), onde se entrevistou com o primeiro-ministro Robert Fico, e em Tallinn (Estônia), onde manteve uma reunião com o chefe do Executivo estoniano, Kristen Michal.
A agenda continuou nesta terça-feira em Riga (Letônia), com o primeiro-ministro Andris Kulbergs, e em Vilna (Lituânia), onde se encontrou com o presidente Gitanas Nauseda. A próxima escala será em 27 de agosto em Praga, capital checa, onde Costa se reunirá com o primeiro-ministro Andrej Babis.
Nessas primeiras quatro citações, Costa sublinhou que este outono será "decisivo" para fechar um acordo sobre o também chamado quadro financeiro plurianual, que, segundo defendeu, deve assentar em pilares como a competitividade, a transformação industrial, a defesa, a segurança e a resiliência estratégica, entre outros âmbitos-chave.
O dirigente socialista português considera que o orçamento comunitário para os próximos anos deve refletir igualmente "as exigências dos tempos difíceis que vivemos", pelo que "deverá ter uma estrutura completamente diferente" da dos quadros anteriores, mantendo ao mesmo tempo a continuidade dos recursos destinados à Política de Coesão e à Política Agrícola Comum (PAC).
"Uma coisa é certa: devemos chegar a um acordo antes que termine o ano. Não podemos arriscar que a financiamento da UE seja interrompido em 2028. Isso afetaria nossos agricultores, nossas empresas, nossos estudantes, pesquisadores e inovadores; em resumo, nossos cidadãos. Sei que não será fácil, mas me anima o espírito construtivo dos líderes e confio que possamos alcançar um acordo", assinalou o presidente do Conselho Europeu.
Neste contexto, Costa aludiu a um dos assuntos mais sensíveis entre os Vinte e Sete, a introdução de "recursos próprios" para cobrir um aumento do orçamento comunitário. "As novas fontes de receita para a União Europeia serão uma parte essencial de um acordo global", destacou.
Aviso sobre ameaças híbridas e fronteiras da UE
Em suas primeiras etapas da turnê, Costa também aproveitou para chamar a atenção sobre "as ameaças híbridas russas" e as incursões de drones que impactam no flanco oriental e na região do Báltico, reclamando um reforço da defesa aérea e da proteção das fronteiras por meio de uma resposta coordenada em escala europeia.
O presidente do Conselho Europeu instou, além disso, a acelerar a preparação da defesa comum para 2030, com uma abordagem "de 360 graus" que cubra a totalidade das fronteiras do bloco, já que, advertiu, "as fronteiras da Europa só serão seguras se todas as nossas fronteiras forem seguras".
Na mesma linha, classificou de "totalmente inaceitável" a instrumentalização dos fluxos migratórios nas fronteiras externas da UE em países como Letônia e Lituânia, citando expressamente Ceuta junto à zona báltica como exemplos de um desafio compartilhado que requer "uma resposta europeia conjunta" em apoio aos Estados membros que são diretamente afetados.