O líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Jamenei, instou neste domingo a formar um bloco coeso no mundo muçulmano frente aos Estados Unidos e Israel, com uma mensagem especialmente voltada para os países do golfo Pérsico.
A guerra do Irã gerou uma forte tensão entre Teerã e seus vizinhos da região, depois que a República Islâmica atacou repetidamente instalações militares americanas situadas em territórios do Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos ou Kuwait.
Em sua declaração, divulgada por ocasião da semana da unidade islâmica, a umma, Jamenei atribuiu esse clima de confrontação à estratégia de fragmentação desenhada por Washington e Tel Aviv por meio de iniciativas como os Acordos de Abraão, voltados para a normalização com países árabes e que Teerã qualifica de armadilha.
O aiatolá assumiu a liderança após a morte de seu pai e de vários familiares em um bombardeio registrado em 28 de fevereiro contra o complexo dos aiatolás em Teerã, nas primeiras fases da guerra. Ele mesmo ficou ferido nesse ataque e, desde então, não foi visto em atos públicos, alimentando as especulações sobre seu delicado estado de saúde, limitando-se a intervir por meio de comunicados escritos em momentos concretos.
No mensagem divulgada neste domingo, o aiatolá Mojtaba Jamenei pede a todo o mundo islâmico que "reflita e analise os acontecimentos com maior detenimento" para compreender que "toda divisão acaba beneficiando o inimigo". A seu ver, um Islã politicamente coeso não teria permitido nem a guerra de Gaza nem a proliferação de bases militares americanas no golfo Pérsico.
"Se os muçulmanos tivessem sido uma só mão unida, com o punho cerrado com firmeza, teria ficado a nação palestina tão indefesa e submetida à opressão e aos crimes dos ocupantes?", questionou.
"E se as nações e os governos que se assentam nas costas do Golfo Pérsico tivessem estabelecido firmemente sua unidade sob a bandeira do Islã, teriam se atrevido uns canalhas corruptos e sem escrúpulos a cobiçar suas terras e riquezas a milhares de quilômetros de distância?", acrescentou.
Por este motivo, Jamenei lança uma exortação "reiterada e enfática aos governantes dos países islâmicos, em particular aos da região da Ásia Ocidental e ao longo do Golfo Pérsico, para que saibam quem é seu verdadeiro inimigo, compreendam suas intrigas e enfrentem a elas" e detectem que os Estados Unidos e Israel buscam transformar "todo tipo de diferença racial, cultural, social, econômica, política e geográfica em um pretexto para semear a divisão entre os muçulmanos do Irã e de todos os demais países islâmicos".
"A solução para os problemas da umma islâmica reside em manter a unidade, a amizade e a cooperação na busca do bem e da virtude. Os governantes criminosos dos Estados Unidos e o ilegítimo regime sionista (Israel) são inimigos acérrimos dessa unidade e amizade", concluiu o líder supremo iraniano.