O empresário do setor minerador sequestrado neste fim de semana na cidade de Trujillo, no noroeste do Peru, foi libertado nesta segunda-feira, segundo informaram as autoridades do país andino. Paralelamente, ocorreu a detenção de quatro supostos responsáveis por este sequestro, no qual morreram quatro acompanhantes que viajavam com ele em seu veículo.
"Quatro supostos implicados neste crime repudiável foram capturados e o cidadão que permanecia sequestrado foi liberado", celebrou a presidenta do Peru, Keiko Fujimori, em uma mensagem nas redes na qual valorizou a "resposta rápida e firme" da Polícia "neste caso".
Na mesma mensagem, a chefe de Estado transmitiu suas "mais sentidas condolências e solidariedade" aos familiares das quatro vítimas fatais, ao mesmo tempo em que reiterou que não dará "trégua à criminalidade".
O empresário liberado é Jenns Lara Tantaquilla, que foi interceptado na madrugada de domingo por um grupo de criminosos armados disfarçados de agentes da Polícia. Os assaltantes assassinaram os quatro acompanhantes que estavam com ele em seu carro quando circulava pela avenida Húsares de Junín.
"Essas pessoas o que simularam foi uma intervenção policial, em qualquer parte do mundo, até nos lugares mais seguros os criminosos se vestem de policiais", indicou então em declarações à imprensa, coletadas pela cadeia RPP, o chefe da Região Policial La Libertad, o general Ricardo Espinoza.
Por sua parte, o general da Polícia Nacional e chefe da Direção de Investigação Criminal (DIRINCRI), Víctor Revoredo, apontou a banda criminosa "Los Pulpos" como a suposta organização que teria ordenado o sequestro.
Vale lembrar que neste mesmo domingo, a própria Fujimori convocou uma reunião de emergência após o ocorrido. Desse encontro, o presidente do Conselho de Ministros, Luis Galarreta, saiu exigindo ao Congresso que dê prioridade ao debate e aprovação da delegação de faculdades legislativas em matéria de segurança cidadã.
Segundo explicou, essa habilitação permitiria, entre outros aspectos, que o Estado possa identificar e catalogar como grupos hostis ou terroristas determinadas organizações criminosas, o que abriria a porta à intervenção direta das Forças Armadas.
Em paralelo, o partido Juntos por el Perú, do candidato presidencial Roberto Sánchez, registrou um projeto de lei para modificar o artigo 8 do Decreto Legislativo 1267 e facultar a Fujimori a cessar de forma antecipada o comandante geral da Polícia Nacional do Peru, Óscar Arriola.
A esta iniciativa se somou nesta segunda-feira a bancada de Agora Nación, formação de centro-esquerda, que reclamou a demissão de Arriola ao considerar que "já não é sustentável" sua continuidade no cargo.
"¡Arriola deve renunciar! O brutal ataque em Trujillo confirma o fracasso de sua gestão frente ao crime. O país precisa de segurança, não mais desculpas", defendeu a bancada em um comunicado divulgado nas redes.
Arriola ocupa a comandância geral da Polícia Nacional em virtude de uma norma aprovada durante o governo de Pedro Castillo, que o mantém no cargo até setembro de 2027. De fato, há apenas uma semana, o ministro do Interior, César Astudillo, reconheceu perante a Câmara de Deputados que o Executivo peruano carece de margem legal para removê-lo antes que complete seus dois anos em funções, apesar das intensas críticas à sua gestão da segurança no país.