O ex-presidente José María Aznar sublinhou que o "futuro de Ceuta" está intimamente ligado ao de Espanha e pediu ao Governo central "firmeza" porque "a fraqueza" de um Estado "é e será sempre provocadora". Nessa linha, reiterou que "a soberania nacional não tem férias" e que, após ser "agredida" pela entrada massiva de imigrantes desde Marrocos, "só cabe restaurá-la".
Acompanhado por sua esposa, a ex-prefeita de Madrid Ana Botella, Aznar deslocou-se a Ceuta para transmitir seu "apoio e solidariedade" à cidadania ceutiana e ao seu presidente autonômico, Juan Jesús Vivas, com quem manteve um encontro no Palácio da Assembleia. O ex-chefe do Executivo, recebido do lado de fora entre aplausos e gritos de parte dos presentes, assinou no livro de honra e manteve reuniões com outros integrantes do Governo ceutiano.
Durante o ato institucional, Aznar denunciou que em Ceuta "se violou a integridade territorial da Espanha" e ressaltou que a "primeira obrigação" de qualquer Estado é "recuperar a ordem, a segurança e a normalidade tão notoriamente conculcadas desde já faz mais de um mês".
O ex-mandatário também apoiou as iniciativas do líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, em seu plano para a recuperação de Ceuta, insistindo que as pessoas que assaltam "nossas fronteiras não podem permanecer em território nacional".
Embora não tenha mencionado de forma direta o presidente do Governo, Pedro Sánchez, Aznar ressaltou que a soberania nacional, uma vez "agredida" em uma crise como a vivida em Ceuta no final de julho, "não tem férias".
"Uma vez agredida, só cabe restaurá-la. Mas defender a integridade nacional não é inventar um relato", avisou. Em seguida, defendeu que a prioridade das autoridades deve se concentrar em "o que pensam e sentem os ceutianos", e não em "o que se diga do outro lado da fronteira", em Marrocos.
AVISA: NÃO VAI SER A "PRIMEIRA AVALANCHE"
Nesse contexto, Aznar advertiu que a "avalanche" de imigrantes que entrou na cidade autônoma desde Marrocos, aludindo à crise migratória dos dias 30 e 31 de julho, foi a "maior", mas não será "a primeira". "Deve ser a última que nos surpreenda desarmados. É urgente estabilizar nossa fronteira mais exposta, e fazê-lo de forma permanente. Uma fronteira que é, por certo, tão nacional quanto europeia", afirmou.
O ex-presidente reclamou "firmeza" porque "a fraqueza é e será sempre provocadora", ao mesmo tempo que pediu uma mudança na política externa "que não deixe a Espanha isolada à mercê de qualquer extorsão, sem aliados com os quais contar nas crises".
"Em suma, é necessário uma mudança completa na política e na direção política do país para que, quando a nação for posta à prova, todo mundo tenha muito claro que o Estado responderá", resumiu Aznar, que também instou a "despejar todas as incertezas que nublam o presente de Ceuta", e também o de Melilla.
A seu entender, "urge acabar", sobretudo, "com as incertezas que ameaçam" o futuro, porque "é o de todos". "Dito de outra maneira, Ceuta é Espanha e o futuro de Ceuta é o futuro da Espanha", concluiu.
VIVAS DEFENDE A "ROTUNDIDADE" DE AZNAR COM PEREJIL
Por sua parte, o presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, valorizou a "rotundidade" com a qual José María Aznar atuou na crise do ilhéu de Perejil e seu papel como "pedra angular" na defesa da "soberania" e "integridade" da cidade autônoma.
Vivas lembrou que o episódio de Perejil em 2002 foi uma "prova" de até onde estava disposta a chegar a Espanha para proteger Ceuta e sustentou que a reação do Executivo de Aznar foi "inequívoca".
"Nossa integridade e soberania são inegociáveis e se defendem com todos os meios e capacidades do Estado. Uma obrigação, um princípio, que deveria ser mantido sempre; pelo bem da Espanha, pela dignidade da Espanha, pelo prestígio internacional da Espanha", defendeu.
Além disso, para Vivas "não cabem ambiguidades nem meias tintas" na defesa da soberania e integridade territorial do país. "É preciso saber de que lado se está. Ou se está com Ceuta e com a Espanha, ou se está a serviço de outro tipo de interesses, sejam interesses partidários ou eleitorais, mas não se pode ser equidistante nisso", ressaltou.
O presidente autonômico acrescentou que "não há nada mais importante" para os ceutianos do que sua "espanholidade". "E quando isso está em risco ou é ameaçado, somos capazes de agir em uníssono, com uma só voz, juntos e unidos, acima de credos, culturas, origens e ideologias", advertiu.