Narbona responde a Page: se expulsará a todos os migrantes que de acordo com a legislação possam ser devolvidos

Cristina Narbona defende que só serão expulsos os migrantes que a lei permitir e apoia a investigação e a cooperação com Marrocos pela crise de Ceuta.

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A presidenta do PSOE, Cristina Narbona, respondeu às palavras do presidente de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, que havia reclamado a Moncloa "cumprir com a palavra que deu" e "devolver a todos os que entraram ilegalmente". Narbona precisou que "voltarão todos os que, de acordo com a legislação europeia e espanhola, possam ser devolvidos".

Segundo recordou, "O presidente Page sabe que as devoluções têm, em todo caso, que se ajustar à legalidade vigente", e ressaltou que a normativa obriga, por exemplo, a ter em conta a situação dos menores não acompanhados e o tratamento específico que requerem.

A dirigente socialista apontou igualmente que entre as pessoas que entraram de maneira irregular em Ceuta há migrantes provenientes da África Subsaariana que "podem ser beneficiados pela legislação sobre asilo", pelo que nem todos se encontram na mesma situação jurídica.

Em declarações à imprensa em Santander, a presidenta do PSOE destacou que a "prioridade" do Governo se centra agora no comando único "para coordenar o melhor possível todas as ajudas que devem ser dadas à população ceutí e, por supuesto, garantir os direitos das pessoas que chegaram em condições muito excepcionais".

Versões dos ministros e atuação do CNI

Narbona considera "compatíveis" as explicações oferecidas pelos ministros Margarita Robles (Defesa) e Fernando Grande-Marlaska (Interior) acerca dos relatórios do Centro Nacional de Inteligência (CNI) anteriores à chegada massiva de migrantes a Ceuta.

Questionada sobre as diferenças entre as versões de Robles e Marlaska sobre se existiam ou não relatórios do CNI que antecipassem uma entrada massiva como a que finalmente se produziu, a presidenta do PSOE entende que se "pode considerar que ambas as declarações dos ministros são compatíveis".

Nesse sentido, ela esclareceu que "Certamente, uma coisa é dizer 'estão entrando mais pessoas' --no verão sempre há uma entrada maior porque as condições do mar favorecem-- e outra coisa é que nessa informação que chegou ao Governo não se entrasse em um detalhe maior que pudesse alarmar de maneira mais ajustada ao que depois aconteceu".

Para a ex-ministra, o "fundamental" neste momento é que se complete a investigação sobre a origem da entrada massiva de migrantes irregulares ocorrida nos dias 30 e 31 de julho, com o fim de esclarecer "quem tem estado por trás; como se produziu e como pôde afetar a tantos milhares de pessoas para que se tirem as consequências razoáveis".

Relação com Marrocos e estratégia do Governo

Quanto à relação com Rabat, e ao ser perguntada se percebe "branda" a postura do Governo de Pedro Sánchez em relação a Marrocos, Narbona defendeu que o Executivo "está tentando que a colaboração" do país vizinho seja "a máxima possível, precisamente para que o que aconteceu em Ceuta dentro de alguns meses seja um mau sonho e saíamos da situação atual" derivada desses fatos.

Lembrou que Marrocos "é um vizinho com o qual temos que poder entender-nos em muitos temas, não somente neste, em muitos outros temas" e sublinhou que "É uma relação estratégica de longo alcance" que exige manter abertos os canais de diálogo.

As declarações de Narbona ocorreram na Universidade Internacional Menéndez Pelayo (UIMP), onde atendeu à imprensa após intervir no curso '¿Quo vadis Europa?' dirigido pelo ex-ministro e ex Alto Representante da UE para Assuntos Estrangeiros e Política de Segurança, Josep Borrell.

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