Dirigentes do PP reagiram em cascata esta terça-feira após o enfrentamento entre a Delegação do Governo em Madrid e o Município da capital a conta da concentração prevista para esta quarta-feira em Cibeles.
À última hora da tarde, o Consistório que é liderado pelo 'popular' José Luis Martínez-Almeida comunicou que a Delegação, dirigida pelo socialista Francisco Martín, não havia dado luz verde à concentração em Cibeles.
Pouco depois, o organismo dependente do Executivo de Sánchez saiu ao passo dessa versão e precisou que não pode tramitar como concentração o ato convocado esta quarta-feira em apoio a Ceuta porque a Administração local não ostenta o direito de reunião, que recai em pessoas físicas.
Ainda assim, a Delegação deixou aberta a possibilidade de que o Município organize "dentro de suas competências" os atos institucionais que "estime oportunos".
Em paralelo, os cargos do PP aproveitaram para carregar contra o Governo central e denunciar o que o secretário-geral do Partido Popular, Miguel Tellado, qualificou de "obstáculo" do "autocrata Sánchez".
"Os espanhóis queremos sair para apoiar os ceutíes e vamos fazê-lo majoritariamente em toda a Espanha. Por mais obstáculos que coloque o autocrata Sánchez", reiterou Tellado em uma das numerosas mensagens que divulgou sobre este assunto na rede social 'X'.
O dirigente 'popular' colocou em dúvida se é o ministro da Presidência e Relações com as Cortes, Félix Bolaños, quem "instiga" os delegados do Governo para "tentar boicotar as concentrações em defesa de Ceuta. "Nós acabaremos sabendo", previu Tellado.
Em outra mensagem, o secretário-geral do PP ressaltou que "quem proibiu a concentração de apoio a Ceuta em Madrid" é "o mesmo delegado do Governo que elogiou os serviços de Bildu à Espanha". "Sua mesquinhez os define", concluiu.
Feijóo e a cúpula do PP elevam o tom
Por sua parte, o presidente do partido, Alberto Núñez Feijóo, afirmou que o Executivo central "tem medo" de que "a Espanha fale".
Na mesma linha, a porta-voz da formação no Senado, Alicia García, considerou que este choque é "um motivo mais" para comparecer esta quarta-feira às concentrações nas praças dos municípios. Adicionou que o PP não só apoiará Ceuta, mas também "a liberdade e a democracia". "Não nos calarão", sublinhou.
Em termos semelhantes, o vice-secretário de Cultura e porta-voz do PP, Borja Sémper, que assinalou que "teremos que jurar que tudo isso aconteceu".
O vice-secretário de Educação e Igualdade do PP, Jaime de los Santos, sustentou que os membros do Governo "não evitaram a invasão porque não quiseram" e "não ajudam os ceutís porque não têm vontade" para rematar que agora buscam "amordaçar com seu infame totalitarismo". "Não têm limite, nem vergonha", censurou.
A controvérsia entre ambas as administrações também provocou a reação da Comunidade de Madrid. Sua presidenta e líder do PP regional, Isabel Díaz Ayuso, criticou o delegado do Governo que "não tem coragem de nos mandar os antidistúrbios".