Ampliação | Mónica García rejeita que os migrantes de Ceuta propaguem doenças e responsabiliza o superlotação

Mónica García nega que os migrantes de Ceuta propaguem novas doenças, atribui o risco ao superlotação e descarta o colapso sanitário.

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A ministra da Saúde, Mónica García, insistiu que os migrantes que chegaram a Ceuta no passado 30 de julho não são portadores de novas doenças infecciosas, mas sim que é a situação de superlotação que aumenta o risco de patologias. Lembrou, além disso, que doenças como a tuberculose, a sarna, a varicela ou o sarampo já fazem parte do mapa epidemiológico na Espanha.

"Os migrantes não trazem doenças. A tuberculose, a sarna e a varicela existem na Espanha. As condições de superlotação são as que condicionam que os migrantes adoeçam", sublinhou durante sua intervenção na Comissão de Saúde do Congresso, convocada para analisar a crise migratória em Ceuta.

Em sua comparecência, García voltou a negar que a população migrante introduza doenças no país e reprochou à ultradireita que leve anos associando migração, criminalidade e patologias, uma relação que qualificou de "falsa e xenófoba".

Por este motivo, reclamou a habilitação de recursos e espaços adequados para garantir a proteção da saúde das pessoas migrantes e evitar a superlotação. "Dispor de espaços cobertos, de teto, de água, de alimentação, de banheiros e condições básicas de descanso constitui a principal medida humanitária, mas também a principal medida de saúde pública", defendeu.

Nesse contexto, precisou que o risco de transmissão de infecções dentro do próprio coletivo migrante em Ceuta é moderado, devido a "as condições de saúde, superlotação e situação de rua nas quais se encontraram os migrantes durante as últimas semanas".

Em contrapartida, apontou que a ameaça para a população residente na cidade autônoma é baixa, uma vez que foram colocados em marcha circuitos assistenciais específicos e separados para atender os recém-chegados.

"A conclusão, confinar indiscriminadamente não somente carece de justificativa epidemiológica, mas além disso é ineficiente e ineficaz", enfatizou, aludindo às palavras do presidente do PP, Alberto Núñez Feijóo, que reclamou o confinamento dos migrantes.

Três casos de tuberculose e três de varicela

No que diz respeito aos diagnósticos concretos, a ministra desagregou os casos de doenças infecciosas detectados até agora. Sobre a tuberculose, ela apontou que foram identificados três episódios: um em um migrante já tratado, outro de tuberculose cerebral e um terceiro em uma pessoa que residia em Ceuta antes de julho e que continua em tratamento. Ela acrescentou que, após todos os testes realizados, nenhum caso novo de tuberculose foi confirmado.

Em relação à varicela, ela detalhou que foram contabilizados três casos, dos quais um não tem relação com a chegada de migrantes e outros dois ainda estão pendentes de confirmação e também não estariam vinculados a esse fluxo migratório. "Além disso, existe um paciente com suspeita de varicela", indicou.

Em relação aos episódios de gastroenterite, informou cerca de 60 casos, que, segundo explicou, estão previsivelmente associados às deficientes condições alimentares e não ao consumo de água.

Sobre a sarna, destacou que se trata de uma infecção já presente na Espanha e precisou que as pessoas migrantes afetadas estão sendo tratadas com cremes ou medicação oral.

Sem colapso sanitário em Ceuta

García assegurou que a assistência sanitária em Ceuta foi reforçada com a incorporação de uma centena de profissionais e negou que o sistema tenha sido sobrecarregado. "Houve um sobreesforço, mas não compromete o sistema", manifestou.

Também defendeu que o Hospital de Ceuta dispõe de margem suficiente para absorver o aumento da demanda. Segundo concretizou, o centro contava inicialmente com 175 leitos, que foram ampliados para 212, e que no momento de maior pressão apenas se alcançou 55 por cento de ocupação, com um máximo de 105 pacientes internados. "Esta não é a imagem do colapso", enfatizou.

"O pico de maiores internações de pessoas migrantes foi registrado em 13 de agosto, com 35 pacientes migrantes internados. Atualmente, temos 17 pacientes migrantes internados", expôs.

Na Atenção Primária, a titular da Saúde explicou que a atividade assistencial passou de 342 pacientes atendidos no primeiro dia para uma faixa entre 46 e 141 consultas diárias, dependendo do dia.

Vacinação e reforço sanitário

García avançou que a intenção do Ministério é iniciar na próxima semana a campanha de vacinação dirigida à população migrante, utilizando as 45.000 doses doadas pelas comunidades autônomas. Desse total, 15.000 são de tríplice viral, 10.000 de difteria e tétano, 10.000 de varicela e outras 10.000 de pólio.

"Na semana que vem, se toda a cadeia logística funcionar e se toda a cadeia logística nos permitir, começaremos a vacinar a população", concretizou, ressaltando que se trata de um coletivo com taxas de vacinação distintas das da Espanha.

A ministra acrescentou que as doses cedidas pelas autonomias serão repostas posteriormente.

Críticas do PP e Vox à gestão em Ceuta

Desde a oposição, a deputada do PP Carmen Fúnez censurou que García demorasse vários dias para se deslocar a Ceuta para abordar a crise e ressaltou que foram os profissionais de saúde quem assumiram a carga inicial da atenção.

"Estava olhando dados de um escritório, de suas férias. Mas eram os profissionais que falavam de crise, os que falavam de colapso, porque eles sim olhavam nos olhos das pessoas que estavam sofrendo essa crise", reprochou.

Fúnez também negou que tenham sido incorporados mais profissionais de saúde em Ceuta e assegurou que a equipe atual está suportando um esforço extraordinário para responder ao aumento da demanda.

"Hoje, médicos de Urgências acumulam nove plantões desde 30 de julho. E há outros que acumulam cinco plantões desde 15 de agosto e estamos a 27. Essa é a realidade dos profissionais. Não é que haja mais, é que estão chegando e estão fazendo um sobreesforço acima de suas possibilidades", apontou.

Além disso, atribuiu o superlotação à "incapacidade do Governo da Espanha para proteger as fronteiras e a integridade territorial do país". "Se tivessem protegido as fronteiras e a integridade territorial da Espanha, hoje não estaríamos falando de superlotação sob nenhum conceito nem desta situação", afirmou.

Por sua parte, o deputado do Vox David García sustentou que os imigrantes que chegaram a Ceuta podem portar doenças, da mesma forma que qualquer outra pessoa ou até mesmo um animal. "Assim como um turista traz, um animal traz, um imigrante ilegal pode trazer", concluiu.

Por último, acusou a ministra de eludir responsabilidades e de atacar os profissionais de saúde de Ceuta: "Aquele que lhe contraria vão atrás dele".

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