SERMEF alerta da falta de encaminhamento para reabilitação cardíaca após infarto e outros eventos cardiovasculares

SERMEF denuncia que muitos pacientes não acessam a reabilitação cardíaca apesar das novas diretrizes europeias e de seu impacto na qualidade de vida.

3 minutos

Adicione DEMOCRAT no Google

Pergunte à FREN

Publicado

3 minutos

Mais lido

A coordenadora de Reabilitação Cardíaca do Hospital Geral Universitário Gregorio Marañón de Madrid e membro da Sociedade Espanhola de Reabilitação e Medicina Física (SERMEF), a doutora Marta Supervía, advertiu que "muitos pacientes não são encaminhados para reabilitação cardíaca após um infarto ou outro evento cardiovascular".

Segundo explicou, a reabilitação após um problema cardíaco "continua subutilizada e ainda existem pacientes com indicação que não chegam a acessar a esses programas", e ressaltou que "persistem diferenças na disponibilidade, encaminhamento e acesso, apesar de serem fundamentais para recuperar função e qualidade de vida após um evento cardiovascular".

Por ocasião do Dia Mundial do Coração, que se comemora em 29 de setembro, Supervía destacou a necessidade de "continuar expandindo esses programas e favorecendo o encaminhamento dos pacientes que possam se beneficiar deles", insistindo que essa estratégia está apoiada pela evidência científica disponível.

Nessa linha, destacou que este ano foram divulgadas as primeiras diretrizes de prática clínica da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC, pela sigla em inglês) centradas de forma específica na reabilitação cardíaca, nas quais atuou como revisora experta. Essas recomendações reúnem pela primeira vez em um único documento quais pacientes devem receber reabilitação, como estruturar os programas, quais perfis profissionais devem integrá-los e de que forma avaliar seus resultados.

"Existem indicações respaldadas pelo máximo nível de evidência", enfatizou, por isso incentivou os pacientes "a consultar com seus médicos sobre essa opção quando puder estar indicada". A seu ver, "após um evento ou cirurgia cardiovascular, não basta sobreviver: o objetivo é recuperar função, autonomia, participação e qualidade de vida".

Recomendações unificadas e enfoque multidisciplinar

Em relação às novas diretrizes, Supervía lembrou que "até agora, as recomendações sobre reabilitação cardíaca estavam distribuídas entre diferentes diretrizes cardiovasculares". O novo texto, apontou, conta com o aval da Sociedade Europeia de Medicina Física e Reabilitação (ESPRM) e da Organização Mundial de Médicos de Família (WONCA), e reforça uma visão global e multidisciplinar do processo de recuperação.

"As diretrizes incluem expressamente o especialista em Medicina Física e Reabilitação dentro da equipe multidisciplinar", indicou, acrescentando que "sua formação traz uma perspectiva especialmente relevante na avaliação funcional, na prescrição individualizada de exercício, na fragilidade, na força muscular, nas limitações musculoesqueléticas e neurológicas e na multimorbidade, sempre em coordenação com o restante dos profissionais do programa".

Na opinião da especialista, as novas recomendações "colocam maior ênfase na fragilidade e na pré-fragilidade". "Em pacientes frágeis, propõem adaptar o treinamento e incorporar, quando necessário, força, equilíbrio, mobilidade e prevenção de quedas", destacou, ao mesmo tempo em que indicou que "também ganham maior importância a força muscular, o estado funcional, a sarcopenia e a composição corporal".

A doutora sublinhou que "o índice de massa corporal (IMC) por si só pode ser insuficiente e são incorporadas ferramentas como a antropometria, a bioimpedância ou a dinamometria", apostando em uma abordagem individualizada. Além disso, apontou que "orientam os programas para objetivos de funcionamento e qualidade de vida, incorporando resultados comunicados pelos próprios pacientes e o marco da 'Classificação Internacional do Funcionamento, da Deficiência e da Saúde' da Organização Mundial da Saúde (OMS)".

Para finalizar, após ressaltar que "a prescrição individualizada do exercício é um elemento central e deve ser adaptada à função, aos riscos, às limitações e aos objetivos de cada paciente", precisou que "o documento consolida, além disso, modelos presenciais, domiciliares, híbridos e de telereabilitação, e amplia os cenários contemplados além da cardiopatia isquêmica e da insuficiência cardíaca".