A organização agrária COAG Jaén reclamou que se atue de imediato para frear a especulação no mercado do azeite, depois da queda "artificial" das cotações na origem, que se situam abaixo dos custos de produção e, segundo a entidade, vulneram a Lei da Cadeia Alimentar.
A associação avisou que, se a indústria mantiver essa dinâmica, responderão com protestos e mobilizações ao longo do outono. Em uma nota de imprensa, o secretário-geral da COAG Jaén e responsável regional do setor, Francisco Elvira, classificou de "incompreensível e inaceitável" que estejam sendo registrados descensos nos preços na origem quando as oleiras estão "praticamente vazias" e não há excedentes de azeite.
De acordo com os últimos dados provisórios da Agência de Informação e Controle Alimentares (AICA), a 31 de julho e divulgados pelo Ministério da Agricultura, já foi comercializado cerca de 90 por cento da produção. Isso deixa as adegas das oleiras com apenas 25 por cento do volume total, ou seja, cerca de 329.941 toneladas das 1.300.800 toneladas obtidas na campanha.
Para a COAG, não há fundamentos de oferta e demanda que expliquem essa queda de preços, que atribuem ao aumento da especulação, à entrada de azeites de terceiros países e à pressão de parte do setor para empurrar para baixo as cotações em vista da próxima campanha.
Elvira sublinhou que está sendo forçado um barateamento injustificado que ignora o forte aumento dos custos. Lembrou que o último relatório da Associação Espanhola de Municípios do Azeite (AEMO) aponta que, se em 2010 produzir um quilo de azeite custava três euros, agora o limiar mínimo de rentabilidade gira em torno de cinco euros por quilo.
"Os agricultores não podemos continuar suportando o impacto do aumento dos insumos e da energia enquanto a distribuição afunda as cotações abaixo do que custa produzir", denunciou o porta-voz da COAG, que descreveu a conjuntura como "insustentável" para a viabilidade do olival e das famílias que vivem dele.
Apesar da tendência descendente dos preços, as saídas de azeite ao mercado desde as oleiras mantiveram-se em julho em 95.266 toneladas, um volume semelhante ao da campanha passada e próximo da média de 100.000 toneladas mensais, antes da parada habitual de agosto.
Ao mesmo tempo, COAG destacou que a distribuição dispõe de 20 por cento a mais de óleo do que há um ano, acumulando um total de 234.708 toneladas nas mãos dos envasadores.
O relatório da AICA registra, além disso, que os estoques totais de óleo na Espanha em 31 de julho de 2026 ascendiam a 568.692 toneladas (120.654 toneladas a menos do que no mês anterior). Desse volume global, 329.941 toneladas estavam em poder dos produtores, 234.708 toneladas nas mãos dos envasadores e 4.042,89 toneladas no Patrimônio Comunal Olivarero.