Hipoteca fixa ou variável: qual estão escolhendo os compradores de casa em 2026

O tipo fixo domina as novas hipotecas sobre habitações na Espanha: seis em cada dez operações são constituídas com esta modalidade. A diferença não está apenas na segurança de manter as condições acordadas, uma vez que as hipotecas fixas assinadas em junho partiram além de uma taxa média inferior à das variáveis.

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A escolha entre uma hipoteca fixa ou variável continua claramente inclinando-se para a primeira opção na Espanha. 61,7% das hipotecas sobre habitações constituídas em junho de 2026 foram assinadas a taxa fixa, enquanto 38,3% utilizaram uma taxa variável, segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

A distribuição significa que praticamente seis em cada dez novas hipotecas são fixas. A diferença entre ambas as modalidades é especialmente relevante após vários anos de fortes movimentos das taxas de juros: a fixa permite conhecer a taxa acordada durante a vida do empréstimo, enquanto a variável está exposta às revisões de seu índice de referência.

A preferência ocorre ainda em um mercado com elevada atividade. Durante junho, foram constituídas 45.907 hipotecas sobre habitações, 10,8% a mais do que um ano antes, enquanto seu valor médio alcançou 178.365 euros. A decisão sobre a taxa de juros afeta, portanto, empréstimos cada vez maiores.

As hipotecas fixas partem com uma taxa média de 2,89%

A distribuição entre ambas as modalidades não é a única diferença que os dados mostram. As hipotecas fixas constituídas em junho tiveram uma taxa inicial média de 2,89%, em comparação com 3,07% registrado entre as variáveis.

A distância é de 0,18 pontos percentuais a favor das operações fixas. Não significa que qualquer hipoteca fixa oferecida por um banco seja mais barata do que qualquer variável, já que as condições dependem do cliente, da entidade, do prazo, da porcentagem financiada e das possíveis bonificações.

Permite sim conhecer o que ocorreu com os empréstimos que efetivamente chegaram a ser constituídos durante o mês: a taxa inicial média das hipotecas fixas foi inferior à das variáveis. Assumir o risco de futuras revisões não foi acompanhado, no conjunto dessas operações, de uma menor taxa inicial.

O que realmente muda entre uma hipoteca fixa e uma variável

Em uma hipoteca fixa, a taxa de juros permanece estabelecida de acordo com as condições do contrato durante o período acordado. Isso permite ao hipotecado conhecer de antemão a parcela derivada do empréstimo e evita que um eventual aumento do euríbor a incremente.

As variáveis funcionam de maneira diferente. Habitualmente se constroem somando um diferencial estabelecido pelo banco a um índice de referência, normalmente o euríbor. Em cada revisão, a evolução desse índice pode provocar uma subida ou uma descida do juro e, em consequência, da prestação.

A contrapartida é que uma hipoteca variável pode beneficiar-se de futuras quedas do índice, enquanto quem tem um tipo fixo não obtém automaticamente essa redução. Por isso não existe uma modalidade universalmente melhor: a conveniência depende das condições concretas da oferta e da capacidade do lar para assumir possíveis flutuações.

O BCE voltou a subir os tipos em 2026

O cenário monetário mudou durante os últimos meses. O Banco Central Europeu decidiu no dia 11 de junho subir os seus três tipos oficiais em 25 pontos base diante do aumento das pressões inflacionistas provocado, entre outros fatores, pelo encarecimento da energia derivado da guerra no Oriente Médio.

Desde o dia 17 de junho, a facilidade de depósito encontra-se em 2,25%, as operações principais de financiamento em 2,40% e a facilidade marginal de crédito em 2,65%. O BCE decidiu manter esses níveis na sua reunião do dia 23 de julho.

Este contexto ajuda a explicar economicamente o valor que pode ter a estabilidade de um empréstimo fixo, mas não permite afirmar que seja a razão pela qual 61,7% dos compradores o escolheram. A estatística do INE registra as características das hipotecas constituídas, mas não pergunta aos lares pelas suas motivações.

Quase quatro em cada dez hipotecas continuam sendo variáveis

O predomínio do tipo fixo também não eliminou o financiamento variável. O 38,3% das hipotecas sobre habitações constituídas em junho utilizou esta modalidade, pelo que continua a representar uma parte considerável das novas operações.

Seu principal atrativo potencial aparece quando o índice de referência desce. Uma queda suficientemente intensa do euríbor pode reduzir o juro aplicado após a correspondente revisão, sempre em função das condições estabelecidas no contrato.

O risco funciona também em sentido contrário. Se o índice sobe, o custo do empréstimo pode fazê-lo com ele. Essa incerteza diferencia fundamentalmente esta modalidade da fixa e adquire especial importância quando se assinam créditos por quantias elevadas e durante períodos que podem se estender por décadas.

O juro médio fica ligeiramente abaixo de 3%

Se consideradas conjuntamente as duas modalidades, o juro médio das novas hipotecas sobre habitações foi de 2,96% em junho. O prazo médio das operações situou-se em 25 anos.

O número adquire maior importância ao combiná-lo com o tamanho dos empréstimos. O valor médio de uma nova hipoteca alcançou os 178.365 euros, 6% mais do que há um ano e um máximo da série, pelo que pequenas diferenças no juro podem ter efeitos apreciáveis quando se mantêm durante períodos prolongados.

O mercado hipotecário apresenta assim dois fenômenos simultâneos: aumenta o volume de financiamento solicitado pelos compradores e o juro fixo continua a ser a opção predominante para financiar essas quantias.

A Espanha virou seu mercado hipotecário

A predominância atual do fixo supõe uma mudança estrutural em relação ao mercado espanhol tradicional, historicamente caracterizado por uma elevada presença de hipotecas variáveis vinculadas ao euríbor.

A sucessão de fortes variações experimentadas pelos juros durante os últimos anos colocou em primeiro plano o risco que implica vincular durante décadas o custo de uma dívida a um índice mutável. Paralelamente, as entidades desenvolveram uma oferta de financiamento fixo muito mais ampla do que a existente anos atrás.

Os últimos dados oferecem assim uma resposta clara à pergunta de hipoteca fixa ou variável em 2026: entre as operações formalizadas em junho, o fixo ganha com clareza por 61,7% contra 38,3%. E o faz com uma circunstância adicional: as hipotecas fixas constituídas esse mês não só proporcionavam estabilidade, mas começaram, em média, com um juro inferior ao das variáveis.

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