O desemprego aumenta em 44.419 pessoas em agosto, seu maior aumento desde 2019 devido à desaceleração nos serviços.

O desemprego sobe em agosto em 44.419 pessoas, seu maior aumento desde 2019, impulsionado pelos serviços, embora se mantenha em mínimos históricos para este mês.

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O número de desempregados inscritos nos escritórios dos serviços públicos de emprego aumentou em agosto em 44.419 pessoas em relação a julho (+1,92%), um avanço motivado principalmente pelo comportamento do setor de serviços, que incorporou quase 29.000 novos desempregados no mês, de acordo com os dados divulgados esta quarta-feira pelo Ministério do Trabalho e Economia Social.

Após este aumento de agosto, o total de pessoas sem emprego atinge 2.355.918, uma cifra que continua abaixo do limiar de 2,4 milhões e que representa o nível mais reduzido em um mês de agosto desde 2007, na etapa imediatamente anterior à crise financeira, segundo destacou o próprio Departamento.

Ainda assim, o aumento do desemprego registrado no mês passado se torna o pior comportamento para um agosto desde 2019, exercício em que o desemprego aumentou em 54.371 pessoas.

Desde que começa a série histórica comparável, em 1996, o desemprego só diminuiu em agosto em seis ocasiões, enquanto aumentou em 25. O maior corte ocorreu em agosto de 2021, com 82.583 desempregados a menos, e o aumento mais acentuado foi registrado em 2008, quando, em pleno estalo da crise financeira, o desemprego disparou em mais de 103.000 pessoas naquele mês. Em agosto de 2025, o número de desempregados cresceu em 21.905 pessoas.

Se forem eliminados os efeitos sazonais, o desemprego registrado experimentou em agosto um aumento de 15.137 pessoas em relação ao mês anterior.

Em termos interanuais, o desemprego acumula uma redução de 70.593 pessoas, o que equivale a uma diminuição de 2,91%, com uma queda do desemprego entre as mulheres de 52.974 desempregadas (-3,6%) e uma queda do desemprego masculino de 17.619 homens (-1,8%).

OS SERVIÇOS IMPULSIONAM O AUMENTO DO DESEMPREGO

Por ramos de atividade, o aumento do desemprego concentrou-se sobretudo nos serviços, que somaram 28.563 desempregados a mais (+1,7%), à frente da construção (+4.669 desempregados, +2,9%) e da indústria (+3.731 desempregados, +2,1%).

Em sentido contrário, a agricultura reduziu o número de desempregados em 912 pessoas (-1,3%), enquanto que o coletivo sem emprego anterior, integrado em grande medida por jovens que buscam seu primeiro trabalho, registrou 8.368 desempregados a mais (+3,5%).

O desemprego avançou em agosto tanto entre os homens quanto entre as mulheres, com um aumento um pouco mais intenso no caso feminino. Em detalhe, o desemprego das mulheres cresceu em 22.741 desempregadas em relação a julho (+1,6%), enquanto o masculino o fez em 21.678 parados (+2,4%).

Ao fechamento do oitavo mês de 2026, o número total de homens sem trabalho situou-se em 937.161, enquanto o de mulheres alcançou as 1.418.757 desempregadas, marcando seu nível mais baixo em um agosto desde 2008.

Por faixas etárias, o desemprego entre as pessoas de 25 anos ou mais aumentou em 36.251 desempregados (+1,7%) durante agosto, enquanto o desemprego juvenil, entre menores de 25 anos, se incrementou em 8.168 pessoas (+5,1%).

Apesar desse aumento, o número de parados menores de 25 anos continua abaixo da marca de 170.000, situando-se em 167.730 jovens desempregados.

O DESEMPREGO AUMENTA NAS 17 COMUNIDADES AUTÔNOMAS E DIMINUI EM CEUTA

O desemprego registrado aumentou em agosto nas 17 comunidades autônomas em comparação com o mês anterior. Os maiores avanços, em termos absolutos, concentraram-se na Catalunha (+14.594 desempregados), Comunidade de Madrid (+6.881) e Comunidade Valenciana (+5.847).

Na cidade autônoma de Ceuta, por outro lado, o desemprego reduziu-se em 148 pessoas, o que equivale a uma queda de 1,7% em valores relativos.

Por províncias, o desemprego registrado só diminuiu em três: Málaga (-409 desempregados), Ceuta (-148) e Las Palmas (-94). Nas outras 49 províncias ocorreram aumentos, especialmente em Barcelona (+10.743 desempregados), Madrid (+6.881) e Valência (+3.080).

O desemprego entre a população estrangeira também cresceu em agosto, com 15.956 parados a mais do que em julho (+4,4%), até alcançar um total de 373.577 imigrantes em situação de desemprego, o que representa 50.969 pessoas a mais do que um ano antes (+15,80%).

38,5% DOS CONTRATOS, FIXOS

Durante agosto foram assinados 1.144.827 contratos, um 10,08% a mais do que no mesmo mês de 2025.

Dessa quantidade, 440.274 foram contratos indefinidos, um 14,1% a mais do que em agosto do ano anterior. No total, os contratos fixos representaram 38,46% de toda a contratação registrada no mês.

Dentro dessa modalidade indefinida, foram formalizados 181.395 contratos a tempo completo, um 11,2% a mais do que em agosto de 2025; 109.989 a tempo parcial (+20,1%) e 148.890 fixos descontínuos (+13,5%).

No que se refere à contratação temporária, foram assinados 704.553 contratos desse tipo, um 7,71% a mais do que no mesmo mês do ano anterior, o que representa 61,54% do total de contratos assinados no oitavo mês de 2026.

Entre janeiro e agosto, foram rubricados mais de 10,55 milhões de contratos, um 4,8% acima do mesmo período de 2025. Desses, 4,41 milhões correspondem a contratos indefinidos (+6,5%) e 6,14 milhões a contratos temporários (+3,6%).

No acumulado do ano, os contratos indefinidos a tempo completo somam 1.877.824, o que implica 106.884 a mais (+6%) do que nos oito primeiros meses de 2025. Por sua vez, os contratos indefinidos a tempo parcial alcançam 1.078.980, com um aumento de 94.525 (+9,6%) em comparação com o mesmo período do exercício anterior.

A TAXA DE COBERTURA FRENTE AO DESEMPREGO SE APROXIMA DE 87%

O Ministério detalhou ainda que o gasto em prestações por desemprego situou-se em julho (último mês com dados disponíveis) em 2.115,76 milhões de euros, um 5,5% a mais do que em julho de 2025.

O gasto médio mensal por beneficiário, sem considerar o subsídio agrário da Andaluzia e da Extremadura, alcançou 1.159 euros no sétimo mês do ano, o que representa um aumento de 3,3% em relação ao mesmo mês do exercício anterior.

A quantia média bruta da prestação contributiva recebida por beneficiário em julho foi de 999,9 euros, ou seja, 24,3 euros a mais do que um ano antes (+2,5%).

O número total de beneficiários de prestações por desemprego ascendeu a 1.857.263 pessoas, acima do registro de julho de 2025.

A taxa de cobertura frente ao desemprego, que doze meses antes situava-se em 80,96%, alcançou em julho de 2026 86,75%, o valor mais elevado da série histórica se excluído o período marcado pela pandemia.

As estatísticas de prestações são publicadas sempre com um mês de desfasagem em relação às cifras de desemprego, de modo que esta quarta-feira o Ministério divulgou os dados de desemprego correspondentes a agosto e, em paralelo, a informação de prestações relativa a julho.

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