Bruxelas assume o 'não' da Islândia e reivindica Reykjavik como um de seus parceiros mais próximos

A Comissão Europeia aceita a rejeição de reabrir as negociações de adesão enquanto António Costa troca mensagens com a primeira-ministra islandesa e aposta em continuar a reforçar a relação bilateral.

3 minutos

fotonoticia 20260819132233 1920

fotonoticia 20260819132233 1920

Adicione DEMOCRAT no Google

Pergunte à FREN

Publicado

3 minutos

Mais lido

A Comissão Europeia reagiu à rejeição dos islandeses em retomar as negociações de adesão à União Europeia reivindicando a continuidade da relação entre Bruxelas e Reykjavik. "A Comissão Europeia toma nota do resultado do referendo. A Comissão respeita a escolha do povo islandês. A Islândia continua a ser um parceiro próximo da União Europeia", assinalou o Executivo comunitário.

A mensagem de Bruxelas chega depois que os islandeses rejeitaram em referendo voltar a abrir as conversas para uma eventual incorporação do país à UE, em uma consulta que não planteava, em nenhum caso, a entrada imediata da Islândia no bloco. A Comissão optou assim por sublinhar o caráter estreito da relação existente com a Islândia apesar do resultado contrário a recuperar o processo de adesão. O país faz parte do Espaço Econômico Europeu (EEE), participa no mercado único e está integrado no espaço Schengen, embora permaneça fora da União Europeia.

Costa contacta com Frostadóttir

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também transmitiu o respeito da União pela decisão adotada pelos cidadãos islandeses. Costa trocou mensagens com a primeira-ministra da Islândia, Kristrún Frostadóttir, após conhecer o resultado da consulta. Segundo o porta-voz do presidente do Conselho Europeu, Costa sublinhou que a União Europeia respeita plenamente a decisão democrática do povo islandês expressa no referendo.

O presidente do Conselho destacou ainda que Islândia continua a ser "um dos parceiros mais próximos e fiáveis" da União Europeia, também através do Espaço Econômico Europeu. O contato entre ambos os dirigentes ocorre em um momento em que o resultado eleitoral volta a deixar em suspenso a possibilidade de que a Islândia retome seu processo de adesão. Apesar disso, Costa e Frostadóttir expressaram sua vontade de continuar reforçando a relação entre a União Europeia e a Islândia.

A mensagem do Conselho Europeu coincide assim com a primeira reação da Comissão e desenha uma resposta institucional europeia marcada por o respeito ao resultado das urnas e a vontade de preservar a cooperação existente.

O 'não' freia o processo antes de voltar a Bruxelas

A pergunta submetida aos cidadãos islandeses era: "Deve a Islândia retomar as negociações de adesão com a União Europeia?" Uma vitória do 'sim' teria permitido ao Governo de Reiquiavique recuperar formalmente as negociações com a UE para analisar as condições de uma eventual adesão. O resultado teria aberto, portanto, uma nova fase de conversas, mas não teria significado a incorporação automática do país ao bloco.

A eventual adesão teria requerido posteriormente um acordo e uma segunda decisão dos cidadãos islandeses sobre se aceitar finalmente as condições negociadas. A vitória do 'não' impediu chegar a esse cenário e mantém congelado o processo de adesão que a Islândia iniciou em 2009 e que posteriormente ficou suspenso.

A resposta das instituições europeias coloca o foco em um elemento chave da relação bilateral: o rejeição em retomar as negociações não significa um afastamento imediato da Islândia em relação à arquitetura europeia. Através do Espaço Econômico Europeu, a Islândia participa em boa parte do mercado interno comunitário e mantém uma elevada integração econômica com os Estados membros. Sua pertença ao Schengen reforça ainda a cooperação em matéria de livre circulação e fronteiras.

A questão da adesão tem estado historicamente condicionada por algumas das particularidades econômicas e políticas do país, especialmente a gestão dos recursos pesqueiros, uma das principais linhas vermelhas durante o debate. A Islândia mantém uma importante indústria pesqueira e os setores contrários à adesão têm advertido tradicionalmente do risco de perder capacidade de decisão nacional sobre suas águas e cotas pesqueiras.

A UE mantém a porta aberta à cooperação

As primeiras reações da Comissão e do Conselho Europeu compartilham uma mesma ideia: o resultado do referendo deve ser respeitado, mas não altera a natureza da relação entre a Islândia e a União. Bruxelas tem evitado qualquer leitura de ruptura e tem insistido que Reiquiavique continua sendo um parceiro próximo, confiável e estreitamente integrado na economia europeia.

O resultado deixa assim aparcado o debate sobre uma eventual adesão, mas não questiona o emaranhado institucional que mantém a Islândia vinculada ao projeto europeu. A cidadania islandesa fechou a porta a reabrir as negociações de adesão; Bruxelas, por outro lado, quer manter aberta e reforçar a relação com Reiquiavique.

Bonjour, je m'appelle Fren. Comment puis-je vous aider ?