Um juiz federal no Texas rejeitou nesta quarta-feira o pedido apresentado pelas autoridades de Minnesota para obrigar a extradição de um agente do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE, na sigla em inglês), acusado de disparar em uma perna de um migrante venezuelano durante o auge da operação antimigratória 'Metro Surge' no início de 2026.
O magistrado federal Fernando Rodríguez Jr. explicou em sua resolução que "Minnesota alega que o governador (do Texas, Greg) Abbott se negou a assinar e reteve a ordem de extradição. No entanto, o processo apenas reflete que o governador Abbott não acessou nem se negou a assinar a ordem de extradição" do agente Christian Castro.
Castro, de 52 anos, está preso na cadeia de Brownsville, no Texas, desde o final de maio, imputado por vários crimes relacionados ao tiroteio em que foi ferido Julio César Sosa-Celis, entre eles o de ter mentido sobre o desenvolvimento dos acontecimentos.
A legislação impede que Castro continue encarcerado por mais de 90 dias enquanto se resolve uma possível extradição, pelo que Minnesota solicitou uma ordem judicial que obrigasse o governador republicano do Texas a assinar os documentos necessários para autorizar sua transferência. Sem essa ordem, a liberação do agente está prevista para quinta-feira.
A decisão afirma que Abbott sustenta que não tem a obrigação de entregar Castro a Minnesota, enquanto a secretaria de Estado do Texas continua analisando o pedido para decidir se o agente se encaixa na definição de "fugitivo" prevista na lei federal de extradição.
Por sua vez, os promotores de Minnesota reivindicavam que Castro permanecesse sob custódia além do limite de 90 dias ao considerar que havia risco de fuga. Para sustentar esse argumento, mencionaram várias chamadas telefônicas realizadas da prisão entre o agente e uma mulher residente no México, nas quais Castro "expressou seu desejo de comprar uma propriedade" naquele país e "mudar-se para lá no futuro".
Em um comunicado enviado ao portal The Hill, o governador democrata de Minnesota, Tim Walz, defendeu a necessidade de cumprir com o procedimento de extradição ao sublinhar que "somos uma nação de leis. É nossa obrigação respeitá-las", e lembrou que "Texas cumpriu com todas as extradições anteriores --assim como Minnesota-- e este caso não deveria ser diferente".