Hacienda convoca esta semana o CPFF para relançar o financiamento autonômico e busca o apoio das comunidades ao seu plano

Hacienda reúne na sexta-feira o CPFF para votar seu plano de financiamento autonômico em pleno pulso com as comunidades do PP pela dívida e o modelo catalão.

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O Ministério da Fazenda convocou as comunidades autônomas na próxima sexta-feira no seio do Conselho de Política Fiscal e Financeira (CPFF) para retomar a reforma do sistema de financiamento autonômico, em uma nova tentativa do Executivo de reativar um dos grandes debates territoriais da legislatura.

A reunião estava prevista inicialmente para o final de julho, mas o Governo optou por adiá até a sexta-feira, 4 de setembro, após aceitar o pedido de adiamento formulado pelas autonomias governadas pelo PP devido à situação dos incêndios.

A convocação, realizada pelo ministro da Fazenda, Arcadi Espanha, servirá para analisar e submeter à votação a proposta elaborada por seu departamento, um trâmite imprescindível antes que possa ser aprovada pelo Conselho de Ministros e enviada depois ao Congresso dos Deputados.

O encontro ocorre depois que o Executivo acelerou neste verão tanto as conversas sobre a reforma do modelo quanto a tramitação parlamentar da condonação parcial da dívida autonômica, pela qual o Estado assumirá até 83.252 milhões de euros de passivo das comunidades de regime comum.

Além disso, ocorrerá poucas semanas depois do anterior CPFF, no qual a Fazenda apresentou precisamente sua proposta para assumir essa dívida das autonomias.

Nesta linha, o Governo já havia colocado sobre a mesa no mês passado de janeiro uma primeira proposta de reforma do sistema de financiamento, que foi apresentada às comunidades em um CPFF de caráter meramente informativo.

Rejeição generalizada, exceto Catalunha

Não obstante, aquela iniciativa foi rejeitada por todas as autonomias, exceto Catalunha, e o debate ficou paralisado após a saída de María Jesús Montero do Ministério da Fazenda para liderar a candidatura do PSOE à Junta da Andaluzia.

Com a chegada de Arcadi Espanha ao departamento, o Executivo reatou em junho os contatos com as comunidades por meio de encontros bilaterais para avançar na reforma do modelo. No entanto, as autonomias do PP rejeitaram esse esquema e exigiram que a negociação se desenvolvesse de forma multilateral no âmbito do CPFF.

Diante desse cenário, a intenção da Fazenda é conseguir que o texto receba o apoio do Conselho nesta sexta-feira para elevá-lo depois ao Conselho de Ministros e, em seguida, remetê-lo ao Congresso.

Ao contar com 50% dos votos neste órgão multilateral, o Governo só precisará do apoio de uma comunidade autônoma para levar adiante a proposta, um respaldo que previsivelmente procederá da Catalunha.

O pacto com o ERC, na origem do modelo

As comunidades governadas pelo PP reiteraram nos últimos meses que qualquer reforma do sistema deve ser abordada de forma multilateral e rejeitaram que possa ser condicionada pelo acordo selado entre o PSC e o ERC para desenvolver um modelo de financiamento singular para a Catalunha.

Precisamente, esse pacto concentrou boa parte das críticas dos governos autonômicos do PP, que acusam o Executivo de querer introduzir "privilégios" para uma comunidade em detrimento das demais.

O debate sobre o financiamento ocorrerá, além disso, em um contexto marcado pelos últimos movimentos do Governo na esfera autonômica.

Em julho, o Congresso rejeitou as emendas de totalidade apresentadas pelo PP e Vox ao projeto de lei para a condonação parcial da dívida autonômica, depois que o Junts se juntou ao bloco de investidura e permitiu que continuasse a tramitação parlamentar.

Além disso, a Câmara Baixa voltou a derrubar no verão a senda de estabilidade proposta pelo Governo para os Orçamentos Gerais do Estado (PGE) de 2027, o que obrigará o Executivo a desenhar as contas públicas com uma margem fiscal mais estreita para as comunidades autônomas, apesar de que o CPFF havia aprovado previamente um objetivo de déficit de 0,1% para as regiões com a rejeição das autonomias do PP.

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