Fedea aponta os Mossos como a concorrência singular mais cara e pede para revisá-la na reforma do financiamento

Fedea identifica os Mossos como a competência singular mais cara e reclama revisar seu financiamento e o do resto das competências especiais.

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A Fundação de Estudos de Economia Aplicada (Fedea) divulgou nesta quarta-feira um relatório no qual coloca a polícia autonômica catalã como a competência não homogênea com maior custo para o Estado, com uma estimativa de 1.855 milhões de euros em 2023. A partir desse cálculo, o centro de estudos propõe aproveitar a reforma do modelo de financiamento autonômico para repensar o catálogo de competências singulares.

A análise, elaborada pelo diretor da Fedea, Ángel de la Fuenta, se concentra no financiamento dessas competências específicas e é apresentada em plena discussão sobre a reforma do sistema de financiamento autonômico que será abordada na próxima semana no Conselho de Política Fiscal e Financeira.

No documento, a Fedea questiona a metodologia do "custo histórico" aplicada atualmente, ao considerar que gera "avaliações muito díspares e incoerentes" para um mesmo serviço segundo a comunidade autônoma. De la Fuenta sustenta que essas diferenças resultam "praticamente invisíveis" para a cidadania porque o Ministério da Fazenda não divulga de forma periódica as informações detalhadas.

Após examinar o exercício de 2023, a Fedea cifra em 8.319 milhões de euros o desembolso total associado às competências singulares, ou seja, aquelas funções que apenas determinadas autonomias exercem.

Depois da polícia autonômica catalã, a segunda competência singular com maior custo é o pessoal da Administração de Justiça, com 1.765 milhões de euros, seguida da participação provincial na receita do Estado, que soma 1.329 milhões.

O relatório detalha a seguir outras partidas relevantes: os fundos para a normalização linguística alcançam 813 milhões, os hospitais provinciais representam 606 milhões e as instituições penitenciárias da Catalunha representam 603 milhões.

Diferenças de custo em ensino e justiça

Nesse contexto, o estudo reúne exemplos de fortes divergências de gasto por serviços equivalentes, que qualifica de "dificilmente justificáveis".

Na gestão da Administração de Justiça, transferida para dez comunidades autônomas, o custo por habitante mostra uma faixa superior a 80 pontos de índice. Assim, Astúrias recebeu 81,8 euros por residente, enquanto a Galícia recebeu 35,5 euros e a Comunidade Valenciana 37,7 euros.

As disparidades se acentuam na financiamento dos professores de religião, onde o gasto por aluno em idade escolar apresenta desvios de mais de 150 pontos de índice. Astúrias lidera esta distribuição com 88,7 euros por estudante, em comparação com os 20 euros da Catalunha ou os 29,2 euros das Ilhas Baleares.

Quanto à avaliação das competências das províncias, o relatório coloca Madrid com 136 euros per capita, em comparação com os 367 euros da Extremadura.

Críticas ao uso do IVA e proposta de reforma

No âmbito da negociação do novo sistema de financiamento, a Fedea rejeita a ideia do Ministério da Fazenda de permitir que as comunidades financiem essas competências não homogêneas por meio da cessão de um trecho adicional de IVA de até 90%.

Ángel de la Fuenta considera que esta fórmula reduz a transparência, complica a comparação dos custos reais entre territórios e dificulta que essas prestações possam ser integradas no futuro no esquema geral de financiamento.

Como alternativa, a Fedea propõe ordenar as competências singulares em diferentes grupos. Para aquelas destinadas a serem assumidas por todas as comunidades a médio ou longo prazo, como a justiça ou os professores de religião, sugere ir adaptando sua avaliação à fórmula de necessidades de gasto do bloco geral.

No caso de funções que previsivelmente continuarão sendo singulares por motivos geográficos ou políticos, como as prisões ou a polícia autonômica, o relatório defende a fixação de custos de referência objetivos.

O diretor da Fedea conclui que a reforma do financiamento regional deve ser acompanhada de uma homogeneização de critérios, pelo que insta a suprimir a multiplicidade de regimes para as comunidades uniprovinciais e a publicar de maneira transparente todo o financiamento, independentemente da via pela qual se articule.

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