Comprar uma casa de segunda mão na Espanha requer hoje um esforço consideravelmente maior do que há doze meses. Uma casa tipo de 80 metros quadrados é oferecida em média por 253.270 euros, frente aos 219.020 euros de agosto de 2025. A diferença alcança exatamente 34.250 euros em um ano.
Os dados procedem do Índice Imobiliário Fotocasa correspondente a agosto de 2026, que situa o preço médio ofertado em 3.166 euros por metro quadrado. A variação mensal é de 0,4%, enquanto o aumento interanual alcança 15,6% e prolonga uma sequência de alta iniciada em novembro de 2020.
A habitação encadeia 70 meses consecutivos de altas
Agosto representa o 70º mês consecutivo com um aumento interanual no preço de oferta da habitação usada. A série acumula assim cinco anos e dez meses sem registrar uma queda em relação ao mesmo mês do exercício anterior.
No entanto, a intensidade do encarecimento começa a se moderar. O avanço de 15,6% é o mais contido de 2026, depois que durante vários meses do ano foram registradas taxas superiores a 20%.
Essa desaceleração não significa que as habitações estejam se barateando: o preço continua aumentando tanto em relação a julho quanto frente a agosto de 2025. O que está se reduzindo é a velocidade com que avança.
Murcia dispara o preço em 28,8% em apenas um ano
A Região de Murcia lidera amplamente o aumento autonômico, com uma alta de 28,8% em relação a agosto do ano passado. O preço médio ofertado se situa lá em 2.209 euros por metro quadrado.
Cantábria ocupa a segunda posição com um aumento de 18,5%, seguida da Comunitat Valenciana, com 17,1%. Navarra registra 17% e La Rioja completa as cinco maiores altas com 15,9%.
No total, 13 das 17 comunidades autônomas registram crescimentos de dois dígitos. Baleares apresenta o aumento mais moderado, de 5,3%, seguida das Canárias, com 7,5%, e da Extremadura, com 8,8%.
Assim sobe a habitação por comunidades autônomas
| Comunidade autônoma | Variação interanual | Preço médio €/m² |
|---|---|---|
| Região de Murcia | +28,8% | 2.209 € |
| Cantábria | +18,5% | 2.792 € |
| Comunitat Valenciana | +17,1% | 2.866 € |
| Navarra | +17,0% | 2.439 € |
| La Rioja | +15,9% | 2.011 € |
| Astúrias | +14,4% | 2.427 € |
| País Basco | +14,3% | 4.045 € |
| Castilla-La Mancha | +13,7% | 1.436 € |
| Castilla e León | +13,1% | 1.840 € |
| Galícia | +12,7% | 2.299 € |
| Catalunha | +12,0% | 3.485 € |
| Aragão | +11,0% | 1.986 € |
| Andaluzia | +10,9% | 2.958 € |
| Comunidade de Madrid | +9,9% | 5.431 € |
| Extremadura | +8,8% | 1.380 € |
| Canárias | +7,5% | 3.375 € |
| Baleares | +5,3% | 5.443 € |
Baleares e Madrid superam os 5.400 euros por metro quadrado
O território que mais se encarece não coincide com o que apresenta o preço absoluto mais alto. As Ilhas Baleares continuam sendo a comunidade mais cara, com 5.443 euros por metro quadrado, apenas acima dos 5.431 euros da Comunidade de Madrid.
O País Basco aparece em terceiro lugar com 4.045 euros, enquanto a Catalunha atinge os 3.485 e as Canárias os 3.375 euros por metro quadrado. A Andaluzia se situa em 2.958 euros.
No extremo oposto, a Extremadura apresenta o preço médio mais baixo, com 1.380 euros por metro quadrado, seguida de Castilla-La Mancha, com 1.436 euros.
De 110.400 euros na Extremadura a mais de 435.000 nas Ilhas Baleares
A distância entre comunidades se aprecia ao transferir o preço por metro quadrado para uma habitação de tamanho idêntico. Com os valores atuais de oferta, 80 metros quadrados nas Ilhas Baleares equivaleriam aproximadamente a 435.440 euros.
Em Madrid, uma habitação do mesmo tamanho rondaria os 434.480 euros. Na Extremadura, utilizando igualmente o preço médio autonômico, o cálculo baixa até aproximadamente 110.400 euros.
Essas quantidades são uma referência matemática obtida a partir do preço médio por metro quadrado e não representam necessariamente o valor concreto de uma compra e venda, que dependerá do município, bairro, características e estado de cada imóvel.
A habitação sobe em 48 das 50 províncias
A extensão territorial do encarecimento também se observa na análise provincial. A Fotocasa detecta aumentos anuais em 48 das 50 províncias analisadas, equivalentes a 96% do total.
Murcia lidera novamente a classificação com um 28,8%, seguida de León, com um 25,7%; Ávila, com um 23,9%; Ciudad Real, com um 19,4%; e Gipuzkoa, com um 19,1%.
As únicas exceções são Soria, onde o preço baixa 0,1%, e Teruel, com uma queda de 0,3%.
San Sebastián é a capital mais cara da Espanha
Entre as capitais provinciais, Donostia-San Sebastián atinge os 7.141 euros por metro quadrado e ocupa a primeira posição do ranking de preços de oferta.
A capital Madrid aparece a seguir com 6.624 euros por metro quadrado e Barcelona ocupa a terceira posição com 5.375 euros. Palma, Málaga e Bilbao também estão entre as capitais com os maiores preços.
Zamora apresenta, por outro lado, o menor preço médio entre as capitais analisadas, com 1.681 euros por metro quadrado.
O que realmente significa o dado da Fotocasa
Os números do relatório correspondem ao preço de oferta das habitações de segunda mão anunciadas no Fotocasa. Ou seja, refletem quanto pedem os proprietários ou intermediários pelos imóveis publicados no portal.
Não devem ser confundidos com o preço definitivo ao qual se assina uma operação perante notário nem com o Índice de Preços de Habitação do INE, que utiliza uma metodologia e fontes diferentes.
A referência é especialmente útil para conhecer a evolução das expectativas de preço no mercado de habitação usada e mostra que, embora o ritmo de crescimento esteja se moderando, o comprador enfrenta ao terminar agosto preços de partida notavelmente superiores aos de há um ano.