Irã pede à ONU para frear a guerra econômica dos EUA que "obriga" os Estados a "modificar suas relações"

Irã reclama à ONU que rejeite as sanções dos EUA, que considera "terrorismo econômico", e ridiculariza os contatos de Washington com o Bahrein.

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O Executivo iraniano reclamou aos países membros das Nações Unidas e ao Conselho de Segurança que "condenem e rejeitem" a nova ofensiva econômica impulsionada pelos Estados Unidos e que "se abstenham de aprovar ou implementar" o que qualifica como "medidas coercitivas unilaterais" destinadas a "obrigar" outros Estados a "modificar suas relações".

A petição figura em uma carta do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, dirigida ao secretário-geral da ONU, António Guterres, na qual o responsável iraniano critica de forma reiterada a "operação de exclusão econômica" iniciada pela Administração de Donald Trump contra a República Islâmica, a qual considera um "ato de terrorismo de Estado".

Segundo Araqchi, essas medidas "representam uma tentativa de estender as leis e políticas dos Estados Unidos além dos limites de sua jurisdição legítima e de vincular as decisões econômicas soberanas de outros Estados a decisões tomadas unilateralmente em Washington".

"Ataca deliberadamente e indiscriminadamente civis e está desenhada para eludir as proteções que lhes confere o Direito Internacional", denunciou o ministro, advertindo que "impõe uma punição coletiva ao privá-los deliberadamente do acesso a alimentos, medicamentos, equipamentos médicos, energia e outras necessidades básicas".

O chefe da diplomacia iraniana sustenta ainda que a campanha financeira de Washington "é uma clara desvio da decisão e da ordem da Corte Internacional de Justiça (CIJ)" de 3 de outubro de 2018, que instava o Governo dos Estados Unidos no primeiro mandato de Trump a retirar as sanções sobre importações de bens e produtos humanitários e sobre os serviços vinculados à segurança da aviação civil.

Araqchi contrapõe dois caminhos para a comunidade internacional: "Ou devemos defender os princípios de igualdade soberana, não intervenção e respeito pelos direitos soberanos dos Estados, consagrados na Carta das Nações Unidas; ou nos rendemos ao unilateralismo e à intimidação de um Estado canalha".

Nessa linha, Teerã reclama "ao Conselho de Segurança e a todos os membros das Nações Unidas que condenem e rejeitem o uso de medidas coercitivas unilaterais e sanções secundárias por parte dos Estados Unidos como ferramentas para obrigar Estados soberanos a mudar seus interesses econômicos e relações comerciais legítimas".

Da mesma forma, insta os Estados a "abster-se de reconhecer, aprovar ou implementar tais medidas que busquem vincular seus direitos soberanos a políticas impostas unilateralmente pelos Estados Unidos".

Na carta, Araqchi solicita também a Guterres que "avalie e informe sobre as consequências humanitárias e de Direitos Humanos dessas medidas (...) e a garantir que as provas pertinentes sejam avaliadas, documentadas e preservadas de forma independente para a prestação de contas e a responsabilidade futuras".

No plano estritamente interno, a República Islâmica, segundo o texto, "exige que os Estados Unidos cessem imediatamente suas ameaças e ações coercitivas destinadas a obrigar terceiros países e seus nacionais a modificar suas legítimas relações e interesses econômicos".

O ministro adverte igualmente que "o ato ilícito internacional cometido pelos Estados Unidos ao realizar uma campanha de terrorismo econômico por meio de medidas coercitivas unilaterais implica responsabilidade internacional", o que, em sua opinião, abre a porta para exigir sua "obrigação de compensar integralmente todos os danos sofridos, tanto materiais quanto morais, incluindo o restabelecimento do 'statu quo' anterior, o pagamento de indenizações e a satisfação, de acordo com as exigências do Direito Internacional".

Teerã ridiculariza os contatos dos EUA com o Bahrein

Até agora, apenas um número reduzido de governos se posicionou sobre a guerra econômica empreendida por Washington contra o Irã, na qual os Estados Unidos ameaçaram sancionar aqueles que mantiverem vínculos com Teerã.

Entre eles figura a China, cujo Executivo prometeu adotar "todas as medidas necessárias" para "proteger com firmeza seus direitos e interesses legítimos" diante de qualquer passo dos Estados Unidos contra o gigante asiático por suas relações econômicas e comerciais com o Irã, uma posição aplaudida pelo chefe da equipe negociadora iraniana e presidente do Parlamento, Mohamed Baqer Qalibaf.

Dentro de sua campanha de pressão global, Washington intensificou os contatos diplomáticos com outros países. Nesse contexto, o secretário do Tesouro manteve uma conversa com o ministro das Finanças do Bahrein, Salmán bin Jalifa al Jalifa, centrada na citada operação.

Durante a chamada, Bessent "enfatizou a importância de manter uma pressão financeira constante sobre os principais pilares econômicos do Irã e sublinhou que os Estados Unidos exigirão responsabilidades de quem apoia financeiramente o regime", segundo publicou o Departamento do Tesouro nas redes sociais.

O organismo acrescentou que "ambos os responsáveis concordaram na importância de uma coordenação contínua entre os Estados Unidos, Bahrein, os parceiros do Conselho de Cooperação (para os Estados Árabes) do Golfo e a comunidade internacional em geral para combater as finanças ilícitas e fortalecer a segurança econômica".

Teerã interpretou essa aproximação como uma demonstração da deriva da estratégia americana. Essa troca foi descrita como um teste da "autêntica paródia" em que se tornou "a política de Washington em relação ao Irã", segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei.

"Recorre a Bahrein --um país que praticamente não mantém relações econômicas significativas com o Irã-- para demonstrar que sua 'coalizão' funciona. A seguir, 'suspende' as trocas esportivas e acadêmicas com o Irã que, na prática, estavam inativas há anos", destacou Baqaei em uma mordaz publicação nas redes, que conclui sublinhando que a Administração Trump "está sancionando quem já está sancionado e chamando de 'coalizão' esse vazio".

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