Alberto Núñez Feijóo pediu a convocação imediata da Comissão de Segredos Oficiais diante das diferentes versões sobre a informação que o Governo tinha antes da crise migratória de Ceuta. O líder do PP lembrou que seu partido solicitou a reunião no dia 5 de agosto e sustenta que, a estas alturas, "já não admite mais demora".
"Este desarranjo de versões sobre o que ocorreu em Ceuta torna imprescindível a convocação imediata da Comissão de Segredos Oficiais", escreveu Feijóo. O presidente do PP considera que "está tão claro que alguém mente como que nenhum cumpriu com sua responsabilidade" e afirma que os ceutianos e o resto dos espanhóis merecem um Governo que "respeite e defenda a dignidade da nação".
Este desbarajuste de versiones sobre lo ocurrido en Ceuta hace imprescindible la convocatoria inmediata de la Comisión de Secretos Oficiales. La solicitamos el pasado 5 de agosto y, a estas alturas, ya no admite más demora.
— Alberto Núñez Feijóo (@NunezFeijoo) August 26, 2026
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A reclamação de Feijóo ocorre depois que as explicações oferecidas pelo Governo sobre a informação disponível antes da entrada massiva tenham entrado em contradição. O ponto central da controvérsia é determinar se o CNI comunicou no dia 29 de julho a existência de uma convocação para tentar entrar nadando em Ceuta no dia seguinte.
A versão mais detalhada foi oferecida pela ministra da Defesa, Margarita Robles, durante sua comparecência diante da Comissão de Defesa do Congresso. Robles explicou que o CNI compartilhou e analisou informações com as Forças e Corpos de Segurança do Estado e com a Delegação do Governo e sustentou que no dia 29 de julho transmitiu a existência de uma convocação para tentar entrar nadando em Ceuta. A ministra acrescentou que esse tipo de comunicações não precisa necessariamente se materializar em um relatório escrito.
Marlaska nega que houvesse um alerta capaz de antecipar o que aconteceu
Horas depois, o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, afirmou que não havia "nenhum relatório que indicasse" que no dia 30 de julho ocorreria o que finalmente aconteceu. Segundo explicou, nenhum serviço de informação espanhol, de um país aliado ou outro organismo de inteligência antecipou "nada parecido" à entrada que acabou ocorrendo.
A Delegação do Governo em Ceuta também negou ter recebido "em nenhum momento" um relatório que advertisse sobre o que iria acontecer no dia 30 de julho. A instituição reconheceu que durante os dias anteriores havia sido transmitida informação sobre o aumento das entradas por via marítima, mas assegurou que nenhum desses relatórios permitia prever uma entrada com as características da que finalmente se produziu.
Moncloa nega também que houvesse existido um aviso oral
A controvérsia se ampliou posteriormente com a posição transmitida da Presidência: Moncloa negou que o CNI tivesse transmitido relatórios ou avisos orais à Delegação do Governo ou a algum integrante do Executivo sobre um episódio como o que acabou se produzindo.
Esta versão afeta diretamente a explicação de Robles, que havia sustentado que o CNI comunicou a existência de uma convocatória e havia ressaltado que esses avisos não precisam ser realizados por escrito.
Antes de pedir a convocação da Comissão de Segredos Oficiais, Feijóo já havia criticado as discrepâncias entre as explicações de Robles, Marlaska e a Delegação do Governo, que interpretou como uma "guerra interna" dentro do Executivo. Agora reclama que o órgão solicitado pelo PP no dia 5 de agosto se reúna sem mais demora para abordar as diferentes versões sobre o ocorrido antes da crise de Ceuta.