O PP fez nesta sexta-feira um apelo à calma e rejeitou o uso da violência em Ceuta após os incidentes registrados nos últimos dias na cidade autônoma, onde ocorreram confrontos, ataques a acampamentos de migrantes e bloqueios a veículos da Cruz Vermelha que tentavam distribuir alimentos.
A mensagem partiu tanto do deputado popular por Ceuta, Jesús Celaya, durante a coletiva do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, no Congresso, quanto do vice-secretário de Política Autonômica e Municipal do partido, Elías Bendodo. Ambos reclamaram o fim dos episódios violentos, embora tenham mantido as críticas ao Executivo pela gestão da crise migratória.
Celaya pede calma e rejeita os ataques e bloqueios
Durante a Comissão de Interior do Congresso, Celaya pediu expressamente calma após os últimos acontecimentos registrados em Ceuta e apontou que recorrer à violência ou impedir o trabalho de organizações humanitárias não contribui para resolver a situação.
"Quem pensa que com a violência, assediando jornalistas ou bloqueando a Cruz Vermelha que ajuda Ceuta, está completamente enganado", afirmou o parlamentar popular.
Celaya vinculou a tensão existente na cidade ao descontentamento de parte da população pela situação migratória, mas defendeu que os protestos devem permanecer afastados de qualquer ato violento.
O apelo ocorre após várias jornadas de tensão nas quais alguns manifestantes destruíram e queimaram parte de um assentamento utilizado por migrantes e tentaram impedir o acesso de veículos da Cruz Vermelha encarregados de distribuir comida.
Bendodo: "A violência não pode ser respondida com mais violência"
Elías Bendodo posteriormente transmitiu uma mensagem semelhante. O dirigente popular assegurou que o partido compreende o descontentamento existente entre os cidadãos de Ceuta, mas reclamou que os protestos se desenvolvam de forma pacífica.
"Nós entendemos perfeitamente a desesperação do povo ceutí, mas fazemos um apelo à calma", destacou Bendodo. "A violência não pode ser respondida com mais violência".
O vice-secretário do PP manteve, ao mesmo tempo, a ofensiva política contra o Executivo. Em uma intervenção nesta sexta-feira em Cartagena, Bendodo voltou a responsabilizar o Governo pela gestão da crise e pediu a demissão de Marlaska, a quem acusa de não ter reagido adequadamente diante da entrada maciça de migrantes registrada no final de julho.
Uma declaração conjunta de todos os partidos de Ceuta
O pronunciamento do PP coincide com uma declaração institucional consensuada por todos os grupos representados na Assembleia de Ceuta, que rejeitou "com total rotundidade" qualquer forma de violência.
O presidente da Cidade Autónoma, Juan Jesús Vivas, do PP, foi o encarregado de transmitir publicamente a mensagem comum dos partidos.
"Os violentos não nos representam, pretendem nos dividir, distraem a atenção sobre o que é principal e prejudicam a imagem de todos e de Ceuta", recolhe a declaração.
O texto pretende fixar uma posição conjunta após o aumento da tensão social registrado durante os últimos dias e separar os protestos contra a gestão da crise migratória dos episódios violentos.
O PP mantém suas críticas ao Governo
O apelo à calma não implica uma mudança no diagnóstico político do PP sobre a crise. Os populares continuam atribuindo ao Governo central a responsabilidade principal pela situação e pedem uma aceleração dos retornos e maiores recursos para controlar a fronteira.
Na mesma sexta-feira, Cuca Gamarra pediu ao Executivo que detalhasse quantas ordens de expulsão estão sendo tramitadas e reclamou mais meios para gerir os processos de imigração. O PP sustenta que Ceuta não pode se tornar um centro permanente de acolhimento para as pessoas que entraram de maneira irregular.
Bendodo também defendeu que todas as pessoas que não têm direito a permanecer na Espanha devem abandonar a cidade e assegurou que o Governo já adotou algumas das medidas propostas anteriormente por seu partido, entre elas a declaração da crise como assunto de Segurança Nacional e a criação de uma coordenação única.
As mensagens de quinta-feira
O pronunciamento desta sexta-feira chega após os dirigentes populares terem sido questionados na quinta-feira sobre os incidentes protagonizados por alguns cidadãos contra os migrantes.
O porta-voz do PP, Borja Sémper, respondeu então que seu partido estava "sempre contra a violência", embora tenha centrado boa parte de sua intervenção na situação dos cidadãos de Ceuta e na responsabilidade que atribui ao Executivo.
A porta-voz parlamentar, Ester Muñoz, também colocou o foco no mal-estar existente na cidade e na falta de resposta que, segundo o PP, havia recebido a população.