As equipes da Airbus em Illescas (Toledo) e Albacete optaram por interromper durante vários dias a greve convocada na empresa para abrir uma margem à negociação, enquanto o restante dos centros —Getafe, Cádiz, San Pablo e Tablada— submeterá nesta segunda-feira a votação uma proposta com as datas concretas dessa suspensão temporária, conforme indicou recentemente o secretário-geral da seção sindical da UGT-FICA na Airbus Cádiz e membro da mesa negociadora no SIMA, Edmundo Otero.
A decisão chega após a última proposta apresentada pelo fabricante, que inclui a vinculação dos salários ao IPC real e uma recuperação do poder aquisitivo de 7,6%, entre outros elementos, condicionando, no entanto, a aplicação formal do acordo a que as organizações sindicais procedam à desconvocação ou suspensão imediata da greve.
No caso de Illescas, a equipe apoiou a suspensão dos paralisações na última sexta-feira em assembleia, enquanto em Albacete se pronunciarão nesta segunda-feira, assim como nos demais centros citados, onde também se votará se se detém temporariamente a mobilização.
Otero detalhou que esta iniciativa, defendida pela UGT nas assembleias de sexta-feira em todas as fábricas, pretende verificar se a empresa "move ficha de maneira efetiva" na negociação, mantendo aberta a opção de "ativá-la indefinidamente" se o avanço por parte da empresa for considerado insuficiente.
O responsável sindical ressaltou que o propósito desta suspensão é "desmontar o único argumento em que se escuda a empresa para não acabar esta negociação com o comitê de greve" e evidenciar que "os trabalhadores e as trabalhadoras cumprem na negociação" e não vão ser "o impedimento para bloquear absolutamente nada". Mesmo assim, insistiu que "a responsabilidade de todas as partes deve ser chegar a uma proposta final o mais rápido possível".
Em um comunicado divulgado pela UGT FICA, a organização advertiu que retornará "à greve indefinida se no final isso for uma manobra mais da Airbus" e exigiu à direção que, após este gesto, "já não tem desculpas para fechar um conflito" depois que a equipe rejeitou a anterior plataforma negociadora.
Otero precisou que qualquer planteamento que saia da mesa de negociação será discutido primeiro nas assembleias de todos os centros e, depois, será submetido a "um referendo geral vinculativo no qual a equipe decida se o acordo é suficiente ou não para fechar este conflito e que volte a normalidade na companhia", tal como se comprometeram UGT, CGT e UTIL.
A próxima reunião formal de mediação entre Airbus e a representação legal dos trabalhadores terá lugar amanhã, terça-feira, no SIMA, encontro no qual a empresa reiterará que o fechamento definitivo do pacto passa por um cenário prévio sem paralisações nem mobilizações.
"Estamos plenamente comprometidos a alcançar um acordo. Vemos uma grande boa vontade em muitas áreas, o que nos dá a confiança de que podemos ter sucesso em encontrar um caminho comum para frente", assegurou a companhia esta passada semana.
Detalhes da última oferta da Airbus
No âmbito retributivo, a última proposta da Airbus contempla a referência direta do salário ao IPC real, junto com uma recuperação do poder aquisitivo de 7,6% distribuída em cinco anos e com uma vigência que se prolongaria até 2030.
Além disso, o planteamento econômico da direção incorpora a alocação de 0,5% adicional para as revisões salariais individuais (RSI) e outro 0,5% destinado especificamente a atender o apartado de promoções profissionais internas.
Em outros aspectos destacados, a companhia se compromete a manter integralmente o atual acordo de teletrabalho, respeitando os pactos individuais assinados com a equipe e conservando o limite de 40% da jornada em modalidade não presencial.
Quanto ao controle do absenteísmo, a multinacional confirma a paralisação do sistema Bradford, pelo que procederá à devolução dos descontos aplicados na folha de pagamento em um prazo máximo de dois meses após a ratificação do acordo, e colocará em marcha um grupo de trabalho paritário para consensuar um novo modelo de prevenção.