Portugal é o maior produtor de azeite do mundo, mas a Itália é a que mais vende. Há décadas, o setor olival espanhol trabalha para vender menos a granel para o país transalpino e comercializar mais com marcas próprias. A estratégia de colocar em muitas pizzarias e restaurantes a garrafa de azeite sobre a toalha de quadros vermelhos e brancos continua sendo imbatível e, se finalmente o grupo italiano Coricelli conseguir comprar Deoleo, a Itália não só liderará o imaginário do azeite no consumidor internacional, mas também o mercado.
Durante este mês de agosto, está se desenrolando a batalha pela compra de Deóleo, empresa referência em azeite a nível internacional que comercializa 158 milhões de litros de azeite em 68 países sob 29 marcas, algumas tão representativas no mercado espanhol como Carbonell, Koipe, Maestros de Hojiblanca e também no italiano como Bertolli ou Carapelli.
DCOOP, grupo cooperativo espanhol líder mundial em produção de azeite com uma média de 218 milhões de litros tem sido uma das que tem disputado a compra, com 460 milhões de euros. Outra empresa referência no setor oleícola como Acesur (com marcas como La Española e Coosur) também teria feito outra oferta, no entanto, quem, segundo explica oEconomista.es, de momento ganhou a partida oferecendo 500 milhões de euros é Farmers Global Elite, um holding domiciliado em Sevilha, que conta com uma empresa espanhola (Aceites Abasa) mas cujo principal capital pertence à italiana Coricelli (empresa italiana que em 2025 comercializa 78 milhões de litros de azeite).
O peixe pequeno come o grande
Fontes consultadas da DCOOP mal oferecem informações sobre a situação dessa operação, embora mostrem-se surpresos de que um "peixe pequeno" como Coricelli possa comer um grande como Deoleo, que lhe duplica em produção, segundo dados de seu site.
Desde o grupo cooperativo também agradecem o gesto do Governo da Espanha, que em declarações à Agência EFE afirmou que estariam a favor de "uma opção que preserve nossos interesses industriais" ao mesmo tempo que "deveriam ser respeitados estritamente os interesses de nossos olivicultores".
E é que por trás da batalha por Deóleo, não está apenas o mercado do azeite, mas também o modelo que melhor defenderá os interesses do setor olival espanhol, que é o primeiro do mundo.
Importação VS cooperativas
Andaluzia concentra cerca de 75% da produção nacional de azeite de oliva e além disso, sente que a cada dez quilos se canalizam através de uma cooperativa. Por isso, trata-se de um setor que na Espanha está muito cooperativizado. "Espanha não pode se conformar em ser líder na produção. Tem que aspirar a liderar a comercialização, as marcas e a relação com o consumidor", apontava o diretor geral de Cooperativas Agroalimentarias de Andaluzia, Jaime Martínez-Conradi em um artigo publicado recentemente.
Na sua opinião, não se trata de fazer uma competição entre o bom azeite italiano e o bom azeite espanhol, mas sim saber que o modelo italiano possui uma grande dependência das importações para abastecer sua indústria (muitas continuam sendo espanholas) enquanto que o espanhol continua lutando para vincular a produção com a transformação, a marca e a comercialização.
Qualidade e luta contra a fraude
A luta contra a fraude no azeite de oliva Virgem é um dos grandes desafios deste setor. DCOOP afirma que esse é um dos seus cavalos de batalha, porque proteger a autenticidade significa cuidar do produtor e dar garantias ao consumidor. Deóleo também vem trabalhando na mesma linha.
Ao fechamento desta informação, elEconomista.es informou que Farmers Global Elite (Coricelli) ganhou a partida que concluirá ao longo de setembro. No entanto, com certeza a operação gerará muito interesse porque, como manifesta o diretor de Cooperativas Agroalimentarias de Andaluzia "Espanha deve decidir se se conforma em ser o grande produtor mundial de azeite de oliva ou dá o passo definitivo para liderar também sua transformação, sua comercialização e as marcas que chegam ao consumidor".